Voltando das férias

(página 9 a 13 – Filosofia na Alcova – La Philosophia. dans le boudoir, do Marquês de Sade)

[1a parte]

EUGÊNIA, enrubecida – Sinto-me ainda tão acanhada… DOLMANCÉ – Oh, minha bela Eugênia, fique à vontade. O pudor é uma virtude que está caindo de moda e não fica bem numa criatura que possui seus encantos…

EUGÊNIA – E a decência?

DOLMANCÉ – Coisa pré-histórica, gótica.. Tudo o que contraria a natureza está fora da moda. (Dolmancé agarra Eugênia, apertando-a nos braços e beijando-a).

EUGÊNIA, defendendo-se mal – Não, chega! Tenha dó de mim, poupe-me!

MADAME – Ora, Eugênia, não sejamos fingidas com esse moço encantador. Conheço-o há muito pouco tempo, e entretanto veja como me entrego aos seus ardores. Siga meu exemplo. (Assim dizendo beija-o lubricamente na boca, enfiando-lhe a língua).

EUGÊNIA – Tem razão, ninguém me poderá dar melhores exemplos: vou imitá-los!

(Entregando–se ao rapaz que a beija doidamente na boca).

DOLMANCÉ – Que deliciosa criatura!

MADAME, beijando também a moça, do mesmo modo – Então, a canalhinha pensa que também não terei uma parte do festim? (Dolmancé agarra ambas, e durante um quarto de horas as línguas dentro das bocas se revezam e se trocam).

DOLMANCÉ – Este prelúdio está voluptuoso e prometedor. Mas que calor está fazendo!

Vamos, meus amores, tiremos estas roupagens cacetes para melhor conversarmos.

(…)

DOLMANCÉ, contemplando os seios da moça sem os tocar – E como prometem delícias mil vezes mais estimáveis!

EUGÊNIA – Mais estimáveis? Por que?

DOLMANCÉ – Muito mais! (Agarra a moça tentando voltá-la de costas para examinar o traseiro).

EUGÊNIA – Ah, não, ainda não… Suplico-lhe!

MADAME – Ainda não, Dolmancé. Espere. Essa parte do corpo exerce sobre você um tal império que você perderia completamente a cabeça e não saberia mais refletir a sangue frio. Antes disso precisamos de suas lições. Vamos a elas; em seguida, os mirtos que deseja colher incontinenti formarão sua coroa.

DOLMANCÉ – Consinto, mas ao menos a senhora, Madame, terá a bondade de se prestar ao meu desejo para dar a essa linda criança as primeiras aulas de libertinagem.

MADAME – Pois não. Aqui metem nuazinha: pode fazer sobre mim todas as experiências.

DOLMANCÉ – Que lindo corpo! É a própria Vênus, embelezada pelas Graças!

EUGÊNIA – Querida, quantos atrativos! Quisera percorrê-los todos, um a um, cobrindo-os de beijos. (Se bem o diz, melhor o faz).

DOLMANCÉ – Você mostra excelentes disposições… Contenha-se um pouco, porém, só quero, por enquanto, que me preste toda a sua atenção.

EUGÊNIA – Estou ouvindo tudo quanto diz, mas minha amiga é tão bela, tão fresca, tão gorduchinha… Não a acha linda, senhor Dolmancé?

DOLMANCÉ – Claro que acho, perfeitamente bela, mas tenho a certeza de que você em nada lhe cede a palma. Quero que me ouça com atenção, como jovem aluna; se não for dócil e atenta usarei amplamente dos direitos que confere o título de professor.

MADAME – Ela é sua, entrego-lha, ralhe muito com ela se não tiver juízo…

DOLMANCÉ – É que não ficarei somente nos ralhos… Irei mais longe.

EUGÊNIA – Meu Deus, estou ficando apavorada. Que faria então de mim?

DOLMANCÉ, balbuciando e beijando a boca de Eugênia – Ai, esse lindo cu vai ser responsável por todas as loucuras que eu cometer. (Agarra o traseiro de ambas).

MADAME – Aprovo o projeto mas não o gesto. Comecemos logo, o tempo voa e Eugênia tem que partir. Não o percamos em preliminares, ou não a educaremos…

~ por pornografo em 22 janeiro, 2009.

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