MMe. Volange II

Correria de escritor

O adiantado da hora pedia urgência. A editora estava aguardando meu novo conto para qualquer momento. Era necessário fechar o jornal, mas ela estava apenas esperando que a minha pessoa se manifestasse. Meia hora atrás, dissera a ela que estava apenas corrigindo o conto, coisa que levaria pouco mais de dez minutos. Fechei até o MSN para que eu não fosse mais incomodada com os pedidos quase desesperadores da editora. Fazer o que, diria eu se pudesse argumentar, esta é a vida de uma escritora. Estar quase sempre pendendo pelo prazo. Principalmente quando a gente tem uma vida dupla, como eu tenho; como todo escritor tem. Nós temos nossa vida normal, se bem que a minha não é tão normal assim, entretanto, na minha ótica, é a vida normal que eu queria ter, então fodam-se as “normas exigidas pela sociedade”. A segunda vida, é esta que levamos na frente da tela branca – que, antigamente, era na frente de uma máquina-de-escrever com uma folha A4 branca –, que nos aguarda ansiosamente pela colocação de letras que, misturadas de forma coerente, formarão as palavras; estas, também se misturarão coerentemente (se bem que, este juízo, formará o leitor que as lerá), e finalmente, formarão o texto final – não, sem antes passar pelos olhos atentos meus, e, depois da editora, que arrumarão possíveis erros gramaticais, possíveis incongruências no que achávamos, até então, coerente; na verdade, é totalmente correta àquela máxima que diz que, os que escrevem o texto, raramente vêem todos os seus erros, pois, de tanto lermos, eles ficam “invisíveis” a nós; muitos escritores, por este motivo, sentem-se impotentes e precisam sempre de uma correção. Até eu mesmo, preciso das minhas amigas e amigos, principalmente os que estão on-line, e eles estão sempre recebendo minhas composições, minhas poesias, contos, trechos de romance etc. etc., ajudando na finalização deles.

Acabei de receber um e-mail da editora. Ela está me xingando de algumas palavras não muito gentis, exigindo saber que horas vou mandar meu artigo/conto ou “seja lá que merda eu estiver escrevendo”. Respondo, em poucas palavras: “ainda não fui ao banheiro, mas logo que acabar, precisarei mesmo fazer a tal ‘merda’. No mais, poucos minutos nos separam do ato de terminar e enviar. Não se preocupe. Só passei trinta minutos do horário previsto. Sabes que eu nunca falho, minha querida editora. Beijos. Volange.”. Em seguida, fecho meu e-mail para não saber quais novas “palavras gentis” ela inventará para tentar convencer-me a ir mais rápido no texto.

Mas, esqueci de comentar um grande problema que tenho atrás de mim. Quem leu meu primeiro “conto” aqui, sabe um pouco da minha vida. E aquele “mocinho”, o nerd do último texto, está aqui, nuzinho (como eu, mais uma vez), somente esperando eu terminar para testarmos novas perversões na minha cama. De vez em quando, sou obrigada a parar, pois meu nerd exige alguns beijos extremamente longos e calientes, além de algumas “brincadeiras rápidas”. Bem, aquilo tudo que só faz crescer a vontade de terminar isto aqui e pular em cima dele. Imagino que o leitor (e a leitora) saiba o que é isto. Na verdade, ele está reclamando pois o chamo de nerd e estou usando-o para preencher o resto das linhas que faltam. – Querido – eu digo –, se estás com uma escritora, tens que saber que tudo poderá ser usado contra você ou, ao seu favor. Não me culpe. Esta é nossa vida, e, qualquer um que entre nela, vai acabar dentro destas linhas, de um jeito ou de outro. Torça para que seja sempre pelo lado bom, como agora. Conheço alguns escritores que descrevem até mesmo como terminaram com suas namoradas, apenas para se vingar delas. Só para sua informação, já fiz isso, um tempinho atrás.

Depois disso, pedi-lhe que me deixasse acabar as tais cinqüenta linhas exigidas pela editora, e que mais alguns poucos minutos, estaríamos rolando na minha cama “king size”, e avisei que continuasse com sua “arma” exatamente como estava, “engatilhada”, pois, minha fome era grande.

~ por pornografo em 29 novembro, 2007.

2 Respostas to “MMe. Volange II”

  1. mme volange, lindinha! eu teria enviado a seguinte mensagem para um endereço de email mas como ele não existe, vou deixá-lo aqui no abertão. fique à vontade para deletar, pois afinal trata-se de assunto por demais íntimo. amei quase tudo aqui. menos os pronomes. lindinha, pelamordedeus, dê outra finalidade a todos os “aquele”, “naquela”, etc … caraio … vc escreve bem demais para usar tanta muleta … vam’lá … sai desse corpo que não te pertence e expulsa o demonho do pronome excessivo, do advérbio de modo, do modo de adverbiar o texto … vou voltar sempre, fiquei fã e encantada … mas faz por mim, fia, limpa essa porra desse texto!!!!

  2. Bem, explicando à caríssima Carmen, realmente, o texto da Mme. Volage merecia uma revisão básica. Ela publicou estes textos neste ano num jornal daqui, e, agora, me repassou para publicá-los no blog. Infelizmente, nem eu nem ela tivemos tempo para dar uma revisão melhor. Farei isto daqui para frente (ah, em breve ela deve comentar aqui também).

    Ah, Carmen, tens um blog também, não tens?

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